22/08/2015

O seu gato é diferente do gato do outro

Postado por: Mariana Castro | Categoria: itpets

De todos os pets, os gatos são os mais recentes na minha vida. Faz quase 10 anos que eu e meu filho encontramos a Emma e seus irmãos debaixo de uma ponte de madeira que nem existe mais, entre as praias de Cambury e Camburyzinho, litoral norte de São Paulo. “Mamãe, teis gatinhos pedidos no esculo,”, disse ele. Eram 22:30, e eu absolutamente não sabia o que fazer com aqueles ratinhos. Sabia apenas que tinha que levá-los comigo. Chegando em casa, liguei para minha sogra, gateira da vida toda, e pedi instruções. Deu tudo certo! Mas fui atingida por um raio: me apaixonei por gatos!

 

De lá pra cá aprendi a amá-los profundamente, e descobri a complexidade e profundidade do relacionamento com eles. Sou alérgica a gatos, e ainda assim nunca mais deixarei de ter pelo menos um na minha vida. Hoje tenho três – alguns anos depois da Emma, adotei os irmãos Pudim e Mingau, nascidos no pet shop de uma amiga, no interior de São Paulo.

 

Mas a coisa mais importante que aprendi foi a frase que sempre repito: o seu gato é diferente do gato do outro. Isso quer dizer que você só vai descobrir como é bom ter gato quando tiver o SEU gato. Ouço muita gente dizer que não simpatiza muito com eles, que tem medo que arranhem, mordam, e principalmente que gatos são muito diferentes de cães, egoístas e pouco apegados. Nada mais longe da verdade. Vou contar como funcionam as coisas por aqui.

 

Em todos esses anos de mãe de gato, conto nos dedos quantas vezes fui arranhada por eles. Foram poucas, e sempre em situações extremas – banhos, stress, medo. Meus gatos nunca me deram patadas para arranhar, nunca me “atacaram”. E jamais fui mordida, mesmo nos piores momentos. O que recebo quase todas as noites, e com enorme felicidade, são “mordidinhas de amor”. Chego meu rosto bem perto da Emma, e peço um beijinho. Ou ela lambe a ponta do meu nariz com aquela língua áspera e muito engraçada, ou morde delicadamente, um verdadeiro carinho no mundo dos gatos.

 

Meus gatos falam comigo. Não só conheço os miados de cada um deles, mas também aprendi as distinguir os diferentes sons e tons que eles emitem, dependendo do momento ou do que querem de mim – sim, eles sabem pedir tudo o que desejam, e com muita clareza. Emma dorme comigo, e tem acesso livre ao meu banheiro, onde ficam sua água e comida e a janela aberta que leva ao jardim. Se por acaso nos distrairmos e fecharmos a porta do banheiro antes de dormir, ela me chama no meio da madrugada, fazendo um barulhinho que mais parece um arrulhar de pomba. Tenho que levantar da cama para abrir a porta, senão os chamados ficam mais insistentes, até que ela sobe no meu travesseiro e passa a cauda bem debaixo do meu nariz. Técnica infalível… Outro é o miado de quando ela vai passear. Na volta, fica chamando do alto do muro, para que nós a resgatemos, trazendo no colinho para dentro de casa. Só vendo para crer… Pudim tem um miado carinhosinho de dengo e um “indignado”, muito distinto, quando por exemplo não o deixo entrar em casa. Um degrau acima na indignação está o miado do banho. É quase um barítono, que em tom bem grave mostra que está ali muito a contragosto. Mingau pede sua comida todos os dias no mesmo horário, com o mesmo som. E avisa quando chega em casa depois de passeios mais longos pelos muros. Ah, importante dizer que fiz um bom trabalho de condicionamento com meus gatos: eles andam pelos muros, mas não saem dos limites da casa e não vão para a rua.

 

Se você já deu uma boa olhada no meu Instagram, deve ter visto diversas fotos dos meus gatos, incluindo vários clicks do relacionamento entre eles e os meus cães. Cada um é de um jeito. Mingau não se mistura muito, e é uma unanimidade: todo mundo briga com ele. Emma manda nos cães, fica brava quando considera que seu território foi invadido, mas não se defende de outros gatos. Vai entender… Mas o mais incrível é a relação entre Antonia e Pudim. Ainda não consegui captar esses momentos em vídeo, mas meninos, eu vi: os dois brincam de pega-pega e esconde-esconde no jardim, e ele corre atrás da bolinha junto com ela. Fico pasma, é muito divertido!

 

Com pessoas meus gatos também são surpreendentes, e já ajudaram a converter alguns desconfiados em cat lovers. Minha mãe costumava ter medo de gatos. Até que veio ficar com as crianças enquanto eu e meu marido viajávamos. Foram duas semanas dormindo na minha cama, ou melhor, na cama da Emma. Não teve jeito: a gorda foi chegando, miando, ronronando, até que ganhou o coração da vovó, que ama animais em geral. Hoje minha mãe também tem uma gata, a Miu. Meus gatos são também excelentes juízes de caráter. Quer dizer, Pudim não. Ele é meio cachorro, pede festa pra todo mundo. Mingau é bem arisco com estranhos, mas Emma é tiro certo: só chega perto de gente que tem uma energia muito bacana. Do contrário, nada feito.

 

Quando querem carinho e atenção, eles me perturbam, sobem na mesa, no teclado do computador. É verdade que não imploram por atenção o tempo todo como alguns cães, mas são gostosos de agradar e pegar no colo, sim. E quando ronronam, é incrível! É o auge do prazer de gato! Atendem pelo nome e a comandos verbais. Já fiz o teste: cada um sabe seu próprio nome. Pudim anda atrás de mim junto com Docinho e Antonia, e conhece várias palavras, como “vem”, “papá”, “naná”, “pra fora”, “sai”. Eles só não fazem o que não querem, pois personalidade têm de sobra.

 

A cada dia fico mais encantada com os meus felinos. Eles são inteligentes, carinhosos, carismáticos, engraçados e muito expressivos. Vai por mim: se você decidir adotar um gato, entenderá como é bom ter um pet assim. Ele vai ser diferente de qualquer outro gato que você tenha conhecido. Ele vai te amar, te seguir, te perturbar, te pedir carinho, e te dar muita alegria!

 

Para saber mais sobre alguns desses comportamentos dos gatos, veja essa matéria, Decifrando seu gato.

 

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