28/12/2015

Final de ano com fogos, verão com trovões, o que fazer?

Postado por: Mariana Castro | Categoria: itcare

Esta época do ano é um desafio para muitos pets e tutores. Os fogos de artifício das festas de fim de ano e os trovões das tempestades de verão são o terror de cerca de 45% dos cães e gatos domésticos em todo o mundo. Neste exato momento, aliás, Docinho, que sempre teve medo de trovões, está aqui colada comigo, tanto que mal consigo escrever! Mas gente, venhamos e convenhamos: os fogos não vão deixar de existir, assim como os trovões – não dá para soltar impropérios no Facebook contra São Pedro, como o pessoal tem feito contra os fogos. Vamos então falar sobre soluções?

 

Aqui em casa tenho situações opostas: Docinho que tem medo, versus Antonia, Emma, Pudim e Mingau, que nem ligam. Todos os anos passo Reveillon na praia, e Antonia desce para a areia conosco para admirar o espetáculo. Sim, podem ficar chocados: eu gosto dos fogos de artifício. E sim, morro de pena da Docinho, pois sei que ela tem medo. Mas tenho uma notícia para a imensa maioria dos tutores que tem pets com fobias: a culpa é nossa. E não porque soltamos fogos. Mas porque alimentamos essas fobias.

 

Nos últimos anos aprendi muito sobre comportamento e treinamento de pets. Uma das coisas mais importantes foi entender que como líder da minha matilha, minha tarefa é não apenas ser a “chefe”, mas transmitir aos meus pets a confiança de que precisam para viver seguros. Durante anos, inclusive com a Docinho, intensifiquei os carinhos e mimos durante tempestades e sessões de fogos. Resultado: ela aprendeu que nesses momentos vai ganhar mais agrados, vai poder ficar mais colada comigo, e fazer mais ainda o que ela quer. Que erro crasso eu cometi! Alimentei um comportamento que é super nocivo para ela e para nós. Já com Antonia, apliquei os conceitos aprendidos há alguns anos, e fui firme na aplicação: quando a tempestade e os fogos começam, me mantenho impassível, nem ligo. Não falo nada, não faço nada. É um momento normal, passageiro. Quando desci para a praia no Reveillon com Antonia pela primeira vez, no primeiro estouro ela deu aquela brecada nas quatro patas e olhou para mim. Como eu não esbocei reação e continuei meu caminho, ela entendeu que aquilo deveria ser normal. E continuou andando. Nesse momento eu disse, “Muito bem, filha! Que linda Antonia!” Ela ficou toda contente, e desde então nunca demonstrou qualquer tipo de medo de barulhos altos. Funcionou. Como por coincidência ela nunca tinha enfrentado uma tempestade antes desse dia, a atitude funcionou para todos os casos. Pois para eles o som dos fogos e dos trovões é a mesma coisa, apesar de que tempestades dão sinais de que estão chegando.

 

Durante uma tempestade Docinho fica colada comigo, mal consigo me mexer!

Durante uma tempestade Docinho fica colada comigo, mal consigo me mexer!

 

Mas não pense que a calma externa, aparente, enquanto você se retorce de dó internamente, vai funcionar. Cães, gatos e cavalos tem uma habilidade especial para captar energias e intenções. Assim, ou você se acalma, ou seu pet vai continuar tendo medo das coisas. Projete nele uma energia calma, pense e imagine que tudo está bem, e ele se acalmará.

 

Agir assim é garantia de sucesso? Não. Alguns pets realmente tem fobias que vão além do que podemos tratar apenas com energia. Quando assim for, além de tentar manter a sua calma e o seu equilíbrio, siga as dicas básicas para manter seu pet seguro e feliz:

 

  • Coloque-o num cômodo mais isolado da casa, o mais longe possível do barulho, e mantenha portas e janelas fechadas. O cômodo deve ser seguro, sem vidros, rotas de fuga possíveis e outros riscos. Seu pet pode ficar extremamente nervoso e tentar fugir.

 

  • Permaneça com ele nesse cômodo, mas não mude de atitude. Continue fazendo o que normalmente faria, para que seu pet veja que nada mudou. Não o deixe sozinho, pois lembre-se de que você é o líder da matilha, e protetor.

 

  • Você pode até ligar a TV ou música para distrair seu pet, mas jamais em alto volume, com a intenção de “abafar” o barulho. Isso é péssimo, e pode ter o efeito contrário, de enervá-lo ainda mais.

 

  • Tenha brinquedos e distrações à mão. Se seu pet se dispuser a brincar, vai perder o foco do que lhe causa medo e prestar atenção em outra coisa. Mas não dê petiscos – além de que o estado de nervos pode gerar náuseas e vômitos, ele aprenderá que em situações de medo vai acabar “levando vantagem”, o que é sinônimo “deseducação”, e não queremos que isso aconteça.

 

  • Não mantenha vários cães nervosos em um mesmo ambiente, o medo pode fazer com que briguem.

 

  • O algodão no ouvido não é de grande eficiência para abafar o som, e pode incomodar seu pet, causando ainda mais problemas.

 

  • Há no mercado pet produtos naturais à base de maracujá, que diminuem a ansiedade. Converse com seu veterinário, e veja o que funciona para o seu caso específico. Meu conselho: utilize o produto como coadjuvante do condicionamento que descrevo acima, e não como solução única. Os produtos não funcionam sozinhos.

 

Em casos de fobias extremas os animais pode chegar até a se ferir gravemente – o cão de uma amiga se cortou todo tentando fugir por uma porta de vidro e teve até que tomar pontos! Se nada do que eu ensinei funcionar, procure um especialista em comportamento animal.

 

No dia 16 de dezembro estive na TV Gazeta no Programa Revista da Cidade, falando sobre o “truque do pano”, que tem sido muito discutido nas redes sociais nas últimas semanas. Esta técnica, que em 2016 completará 40 anos, é uma pequena parte do trabalho de Linda Tellington-Jones, especialista em animais que desenvolveu uma forma especial de treinamento, comunicação e cura entre pessoas e animais. Amanhã vou fazer um post específico sobre a técnica. Mas desde já digo a vocês: não é a panacéia universal. Para alguns animais a técnica será mágica, e para outros não fará a menor diferença. Muitos são os fatores para que isso aconteça, desde a energia e intenção que descrevi acima – se você amarrar o pano com perfeição mas não projetar calma, não vai funcionar – até questões físicas – um animal com sobrepeso, por exemplo, não será tão afetado pela pressão e alteração de circulação sanguínea proporcionada pela amarração. Então, aprenda tudo, leia muito, informe-se e teste o que mais funciona para o seu pet. Mas principalmente, trabalhe o seu eu interior. E namastê!

 

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Uma resposta para “Final de ano com fogos, verão com trovões, o que fazer?”

  1. […] como uma alternativa para pets que tem medo de fogos de artifício e trovões. Como eu mencionei ontem, demonstrei a técnica da amarração na minha última participação no programa Revista da Cidade […]

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